segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Por medo...

Tenho tanto por dizer... Fiquei com tanto por falar... Revejo as nossas conversas, as nossas discussões e não percebo o medo que sempre senti em confrontar-te com o que realmente pensava e sentia. Sempre tive medo, sabes? Sempre tive medo de dizer-te o que me ía na mente e no coração. Sempre tive medo de arreliar-te, de contrariar-te... Sempre tive medo, que se dissesse algo que não quisesses ouvir, que me deixasses e por isso ficou tanto por dizer. Ficou por dizer que não era correto, que não merecia que falasses comigo daquele jeito. Ficou por dizer que não era justo pensares apenas em ti na maioria das situações. Ficou tanto por dizer... Sempre tive medo que levasses de mim as migalhas de afecto que me davas, sabes? Desesperava ao pensar o que seria de mim se deixasses de me alimentar com os restos que te sobravam. Ficou tanto por dizer... Ficou tanto por amar... Durante todos este tempo esqueci de amar-me a mim mesma. Recolhi os pedaços que me destes e pouco a pouco envenenei-me com eles. Um veneno que dia a dia consumiu o pouco amor próprio que me restava...  Tenho tanto por dizer... Fiquei com tanto por falar contudo, agora, já não vale a pena. Não quero alimentar o teu veneno ao doar-te o meu tempo. Que as palavras que não foram ditas sejam levadas pelo vento! Que o amor próprio seja o meu sustento. 


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Adelaide Miranda, 17/10/2016


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