sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Mind you, I was there first!

The problem of the world is that we have all became selfish and self-centred.
So, I was sitting at a bench in the Park. I was having my lunch. This girl approaches the bench, and asks if she can sit. I obviously say: fine.
Her friend approaches the bench, and seats in the space available at the middle. No problem there, she is invading my personal space.
I continue eating my food. At some point the “friend” lights up a cigarette and starts smoking and throwing the smoke towards me. Mind you, I was eating my lunch!
I was there at first, minding my own business. I did not disturb anyone and I was hoping not to be disturbed. It would have been considerate if she could ask if the smoke bothered me before lighting up the cigarette. Mind you, I was there first!
So I got up and looked for another bench. The first girl looked at me with apologetic eyes and the smoker paid no attention to what happened. She was totally unaware.
It might seem like a small thing but it isn’t. This is what we have became: inconsiderate selfish bastards with no awareness of others.
This is why, there is a lack of love and respect in the world. People are totally unaware of their actions and how these actions affect other people.

And all I have to say is… Mind you, I was there first!

Adelaide Miranda, 29 September 2017

Deitada, inerte e em paz...


A sala estava escura, mas não o suficiente... Deborah, levantou-se e baixou os estores até extinguir o último pedaço de luz que desafiava a escuridão. Voltou, às apalpadelas, para o sofá e fechou os olhos. 
Idiota, pensou para si. No escuro, manter os olhos fechados ou abertos não faria a mínima diferença. Contudo, Optou por fechar os olhos, sentia-se melhor assim.
Pegou no comando e ligou a música. Deixou-se envolver pela melodia e permitiu-se viajar. Deitada, inerte e em paz. 
Por vezes, sentia necessidade de afastar-se do mundo e mergulhar no seu inconsciente, na sua alma.
A música era o meio de transporte para o outro lado. A música era das poucas coisas que lhe  permitia desacelerar o pensamento e desapegar-se das preocupações mundanas e rotineiras. Por momentos, estava em paz consigo mesma. Entendeu as suas aflições, receios e sonhos. Afastou o ruído de fundo e conseguiu olhar profundamente para dentro de si mesma. Afinal, não se tinha perdido. Afinal, a Deborah ainda ali estava. A sua essência mantinha-se a mesma. Deitada, inerte e em paz.
Assim permaneceu até o CD acabar. Respirou fundo, abriu os olhos e levantou-se lentamente como que ganhando noção do seu estado físico. 
Abriu os estores e acendeu a luz. Dirigiu-se para a cozinha e começou a preparar a lancheira do filhote.  A rotina diária, afinal de contas, ainda estava a começar. 

Texto: Adelaide Miranda, 29 Setembro 2017
Imagem: Trigger Image

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Um Amor Incompatível

Excerto

- Tenho medo que saias por essa porta e eu acorde. Tenho medo que isto não passe de um sonho. Tenho medo que o mundo te leve de mim. Liga a dizer que não estás bem. Vamos aproveitar só mais um dia...

- Não me tentes, João. Tenho mesmo de ir. E tu também... E amanhã podemos estar juntos, se quiseres, claro.

- Não vás... Fica com o João. João precisa da Sara. – disse em tom de brincadeira.

- Sara quer João. Sara precisa do João... – Beijaram-se e fizeram amor uma vez mais. João, levantou-se num pulo.

- Vamos. Se tens de ir, tens de ir já. Caso contrário não sais mais daqui. – Levou-a para casa. Pelo caminho, ambos sentiram o coração apertado e mal falaram dentro do carro. Sara foi dando as direcções quando fosse necessário e remeteu-se ao silêncio.

- Chegamos. – disse em tom de tristeza.

- Deixa-me acompanhar-te à porta.

- Não... Vai ser mais dificil, deixa-te estar. Daqui a nada estamos juntos, certo?

Assim que fechou a porta de casa, sentiu uma tristeza enorme. Sentiu um vazio e uma solidão repentina. Entrou no chuveiro e preparou-se para ir para a cama. Assustou-se com o toque da campainha.

- João? Então? Está tudo bem? Deixei alguma coisa no teu carro?

- Deixaste... Deixaste-me a mim.

Entrou no apartamento e foram para o quarto.

- Não vais trabalhar amanhã?

- Vou. Mas quero dormir contigo. Preciso de dormir contigo.

- Jura? E as tuas coisas?

- Tenho umas mudas lá na oficina. Não te preocupes.

Fizeram amor e enroscaram-se estafados. Sara, acordou com o alarme e amadliçoou a segunda-feira. Tomaram duche juntos e fizeram amor, uma vez mais. João, deixou-a no trabalho e despediram-se a custo.

- Não te esqueças de mim.

- Impossível... Espero conseguir lembrar-me de como se trabalha, isso sim.

- Sara... Não te esqueças de mim.

- Nunca.

- Jura.

- Quem mais jura mais mente. – respondeu com um sorriso. – E tu não te esqueças de mim.

- Impossível. Estás tatuada em mim.



- Tenho medo que saias por essa porta e eu acorde. Tenho medo que isto não passe de um sonho. Tenho medo que o mundo te leve de mim. Liga a dizer que não estás bem. Vamos aproveitar só mais um dia...

- Não me tentes, João. Tenho mesmo de ir. E tu também... E amanhã podemos estar juntos, se quiseres, claro.

- Não vás... Fica com o João. João precisa da Sara. – disse em tom de brincadeira.

- Sara quer João. Sara precisa do João... – Beijaram-se e fizeram amor uma vez mais. João, levantou-se num pulo.

- Vamos. Se tens de ir, tens de ir já. Caso contrário não sais mais daqui. – Levou-a para casa. Pelo caminho, ambos sentiram o coração apertado e mal falaram dentro do carro. Sara foi dando as direcções quando fosse necessário e remeteu-se ao silêncio.

- Chegamos. – disse em tom de tristeza.

- Deixa-me acompanhar-te à porta.

- Não... Vai ser mais dificil, deixa-te estar. Daqui a nada estamos juntos, certo?

Assim que fechou a porta de casa, sentiu uma tristeza enorme. Sentiu um vazio e uma solidão repentina. Entrou no chuveiro e preparou-se para ir para a cama. Assustou-se com o toque da campainha.

- João? Então? Está tudo bem? Deixei alguma coisa no teu carro?

- Deixaste... Deixaste-me a mim.

Entrou no apartamento e foram para o quarto.

- Não vais trabalhar amanhã?

- Vou. Mas quero dormir contigo. Preciso de dormir contigo.

- Jura? E as tuas coisas?

- Tenho umas mudas lá na oficina. Não te preocupes.

Fizeram amor e enroscaram-se estafados. Sara, acordou com o alarme e amadliçoou a segunda-feira. Tomaram duche juntos e fizeram amor, uma vez mais. João, deixou-a no trabalho e despediram-se a custo.

- Não te esqueças de mim.

- Impossível... Espero conseguir lembrar-me de como se trabalha, isso sim.

- Sara... Não te esqueças de mim.

- Nunca.

- Jura.

- Quem mais jura mais mente. – respondeu com um sorriso. – E tu não te esqueças de mim.

- Impossível. Estás tatuada em mim.
Adelaide Miranda

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Estante

Um a um, Deborah, colocou os livros de volta na estante. Procurou por tanto tempo sem sequer saber o que procurava. O desespero que a tinha levado àquele quarto continuava a apertar-lhe o peito com uma força esmagadora. Encostou-se à beira da porta e olhou uma vez mais para a estante. Sentia que a resposta estava ali. Sabia que a resposta estava ali. Mas onde? O que seria? 

Arrastou-se lentamente para o quarto e deitou-se a custo na cama. Cerrou os olhos quando a pancada da enxaqueca a atingiu, sem aviso. Apertou os lençois entre as mãos e respirou fundo. Aquela dor dilacerante não a deixava viver. Eventualmente, adormeceu. Acordou horas depois envolta em suor. Aos poucos, tentou levantar-se e começar mais um dia.

Mais um dia de sofrimento. Mais um dia de névoa. Mais um dia de dor... 

Decidiu voltar à estante. Iria retirar os livros um a um, desfolhá-los com cuidado e de certo iria encontrar o que procurava. As horas passaram e a paciência foi-se esgotando. Atirou os livros todos ao chão num momento de fúria. Gritou de frustração e chorou com pena de si mesma. A pancada violenta da enxaqueca derrubou-a ao chão. Fechou os olhos e abriu-os a custo. Ao fundo, viu uma imagem que pareceu familiar. Fechou os olhos novamente e lentamente voltou a abri-los. Ali no meio dos livros estava uma foto... Rastejou até ela e agarrou-a com ambas as mãos. A imagem era bastante familiar. Sentiu naúseas e levou as mãos à boca. Foi assaltada por memórias que estavam enterradas na sua mente. Os olhos castanhos, as sardas e o cabelo espigado... O sorriso e os bracinhos pequenos e rechonchudos. Os beijos e as gargalhadas. Os abraços e as tardes passadas no parque. A imagem... A imagem do filho que o mundo roubou... Deixou-se estar ali, parada no tempo, e permitiu que as memórias a invadissem e, lentamente, retomassem o devido lugar. Tinha que aceitar o desígnio de Deus e dar graças aos momentos que tinha vivido. Era a única forma de continuar. Tinha de aprender a viver com a dor de perder um filho porque era impossível viver com a dor de tentar apagar um amor infinito. 

 

Photo by Heritage Photgraphy

quinta-feira, 30 de março de 2017

Desabar



Encontrei-o sentado no sofá da sala a chorar...
Senti uma dor tão aguda, como se tivesse acabado de ser esfaqueada. Agarrei-me ao peito e pressionei, ao mesmo tempo que me contorci, de forma a conter a dor.
Soube, ali, naquele momento, que ele não chorava por mim. Nunca o tinha visto a chorar...    Aproximei-me, a custo, e ajoelhei-me junto ao sofá. Olhei para ele e, de leve, poisei-lhe a mão no peito.
- Já não me amas pois não? - Perguntei após reunir toda a coragem que tinha.
- Não sei... Não sei...
- Estás a pensar noutra mulher, não estás?
- Sim... - Respondeu após um silêncio prolongado.
- Estiveste com ela?
- Não te posso mentir. Estive, sim.
- É amor que sentes por ela?
- Não sei. É diferente. Com ela sinto-me...
- Sentes-te o quê?
- Mais vivo. Contigo... Contigo tudo é igual. Robotizado. Mecânico...
- Entendo...
- Perdoa-me.
- Não sei se consigo.
Levantei-me a custo e caminhei de  cabeça erguida, com o pouco de dignidade que me restava.
Ouvi-o a chorar. Tive vontade de voltar atrás e pedir-lhe para retirar tudo o que tinha dito...
Não o fiz porque tinha noção de que a rotina diária tinha nos traído. Era óbvio que viviamos debaixo do mesmo tecto mas não partilhávamos a mesma vida. Eu já não me lembrava da sua música favorita. Não me lembrava da última vez que tinhamos rido juntos. Na realidade... Na realidade eu sentia-me presa. Por vezes, também sonhava em sentir-me viva.
Ouvi o telefone dele a tocar, ao fundo.
- Estou a pensar em ti. - Disse ele. - Acabei de falar com a Deborah. Falei-lhe de nós. Preciso estar contigo.
Respirei fundo. Abri a porta de casa e sai.

Foto retirada da internet.