Acordou com uma ligeira dor de cabeça.
Deborah, sabia que tinha se esticado um pouco durante o decorrer da semana.
Trabalhou por longas horas, tentou resolver o possível e o impossível...
Normal. A dor de cabeça era apenas o primeiro sintoma de cansaço.
Na sua opinião todas as dores e doenças eram um reflexo dos excessos cometidos.
Excessos de trabalho, excessos de estados de espírito negativos, excessos de "remar contra a maré"...
As dores são o primeiro sinal de alerta quando algo está fora do seu curso natural.
Deborah, sabia que esta semana se tinha esforçado demais e trabalhado longas horas. Pior ainda, Deborah, tinha passado a semana toda preocupada com pequenas coisas que bem no fundo sabia que não lhe competia a ela resolver.
Muita sorte tinha ela de ser uma ligeira dor de cabeça. Por vezes, os excessos atacavam-lhe vómitos e náuseas. Enfim...
Sentou-se e preparou um bom pequeno-almoço. Esta semana também não se tinha alimentado bem. Tomou um comprimido. Sentou-se ao computador e tratou das coisas mais importantes e urgentes. Ignorou as pequenas coisas que sempre lhe pareciam urgentes mas tinha a certeza que não eram assim tão importantes.
Enviou um email informando que estaria ausente durante o resto do dia.
Deixou o telemóvel em cima da secretária prepositadamente.
Saiu e dirigiu até à praia. Sentou-se à beira-mar a recarregar baterias.
Respirou fundo e fechou os olhos. A dor de cabeça, aos poucos, desapareceu.
Sentiu-se rejuvenescida ao respirar a brisa do mar...
Após longas horas, levantou-se e voltou para casa com um enorme sorriso nos lábios.
Agradeceu pela ligeira dor de cabeça com que acordou de manhã. Era importante saber ler por entre as linhas.
Deborah, sabia que na correria da vida a coisa mais importante era saber quando parar e recarregar as baterias.
Adelaide Miranda, 11/05/2018
sexta-feira, 11 de maio de 2018
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Sorrir para a Vida
Cravou os pés na terra molhada e fincou os pés, como que quisesse afundá-los.
Abriu os braços e agradeceu a Deus.
Agradeceu por tudo o que recebeu na vida: o bom e o menos bom.
Todos os momentos da sua vida tornaram-na na pessoa que hoje era.
Deborah, sempre soube saborear as vitórias e aprender com os fracassos.
Aliás, tinha a sensação que aprendia mais com as coisas menos boas da vida.
Levantava-se sempre mais forte, mais segura de si, mais certa que a sua missão era superar-se a si mesma.
Para ela, este dia seria mais um dia para ser uma melhor versão dela própria.
Agradeceu, uma vez mais, por ser abençoada. Agachou-se e fincou as os dedos da mão no chão.
Agarrou um pedaço de terra e cheirou-o. Inalou a essência da vida e sorriu.
Sorriu ao de leve, inicialmente, e deixou-se cair numa gargalhada desenfreada.
Claro que devia sorrir para a vida, não tinha porque não!
Adelaide Miranda, 10/05/2018
Abriu os braços e agradeceu a Deus.
Agradeceu por tudo o que recebeu na vida: o bom e o menos bom.
Todos os momentos da sua vida tornaram-na na pessoa que hoje era.
Deborah, sempre soube saborear as vitórias e aprender com os fracassos.
Aliás, tinha a sensação que aprendia mais com as coisas menos boas da vida.
Levantava-se sempre mais forte, mais segura de si, mais certa que a sua missão era superar-se a si mesma.
Para ela, este dia seria mais um dia para ser uma melhor versão dela própria.
Agradeceu, uma vez mais, por ser abençoada. Agachou-se e fincou as os dedos da mão no chão.
Agarrou um pedaço de terra e cheirou-o. Inalou a essência da vida e sorriu.
Sorriu ao de leve, inicialmente, e deixou-se cair numa gargalhada desenfreada.
Claro que devia sorrir para a vida, não tinha porque não!
Adelaide Miranda, 10/05/2018
terça-feira, 8 de maio de 2018
Família: O melhor da vida
O melhor da vida não vem em pacotes, nem se encontra em prateleiras ou montras.
O melhor da vida acompanha-nos desde o momento em que nascemos.
O melhor da vida está sempre presente.
O melhor da vida não tem preço.
O melhor da vida é tudo o que realmente precisamos para ser feliz.
O melhor da vida descreve-se numa pequena grande palavra: Família.
Não precisas conquistar o mundo para ser feliz.
Sê presente. Valoriza os que te rodeiam. Família são os teus familiares e melhores amigos.
Família são os que te amam com todos os teus defeitos e qualidades.
Família são os que te apoiam. Família são os que fazem tudo para não te deixar cair.
Família são os que te amparam quando cais.
Família é o melhor da vida.
Correção: Família é Vida!
O melhor da vida acompanha-nos desde o momento em que nascemos.
O melhor da vida está sempre presente.
O melhor da vida não tem preço.
O melhor da vida é tudo o que realmente precisamos para ser feliz.
O melhor da vida descreve-se numa pequena grande palavra: Família.
Não precisas conquistar o mundo para ser feliz.
Sê presente. Valoriza os que te rodeiam. Família são os teus familiares e melhores amigos.
Família são os que te amam com todos os teus defeitos e qualidades.
Família são os que te apoiam. Família são os que fazem tudo para não te deixar cair.
Família são os que te amparam quando cais.
Família é o melhor da vida.
Correção: Família é Vida!
segunda-feira, 7 de maio de 2018
Vida
Deborah, poisou as mãos cansadas sobre o seu ventre. Os dedos, hirtos e magros, entrelaçados e impacientes.
Endireitou o corpo, na cadeira, preparando-se para receber as notícias. A médica analisava o resultado dos exames parecendo esquecer que ela estava ali, à espera...
As sobrancelhas fraziam, os lábios cerravam-se, os olhos questionavam-se... Deborah, tentava ler a expressão da médica como que tentando antever o resultado final.
Por fim, o silêncio quebrou-se com as temidas palavras: "infelizmente, é o que nós esperavamos".
Deborah, olhou para a médica, com lágrimas já vertendo nos olhos, e pediu clemência. Que fizesse a análise outra vez. Não podia ser... Ainda não estava preparada! Não podia ser.
A médica segurou-lhe nas mãos e pediu-lhe calma. Calma! Como se fosse possível ter calma perante uma notícia destas!
Quantos dias, semanas ou meses restavam? Ainda tinha tanto para fazer! Ainda era tão nova! Não podia ser!
O telefone tocou. Deborah, respirou fundo, e atendeu o telefone. Está tudo bem, claro que está tudo bem. Como poderia não estar. Descansou a filha com palavras de conforto, nas quais não acreditava, para não a preocupar.
Saiu do consultório e decidiu andar a pé para casa. Nunca tinha reparado que o céu podia ser tão azul. As árvores vestiam um verde carregado e cheio de vida. Parou no jardim que ficava em frente a casa. Tinha perdido a coragem de entrar. Deixou-se estar, observando a vida que brotava à sua volta. Crianças a correr e a brincar. Mães em conversa corriqueira. Os passáros voando de árvore em árvore...
Tanta vida à sua volta, e a sua vida prestes a terminar...
Adelaide Miranda, 07/05/2018
sábado, 5 de maio de 2018
Still...
She looked at him, trying to figure out what he was thinking.
She knew him too well to know when something was really bothering him.
In fact, she knew him well enough to know that something was seriously wrong. Worst of all, she could bet it was on a personal level, which was worse.
Approaching him would also be a mistake. He hated to be disturbed when the only thing he needed was to be left alone. However, if only she could intervene, maybe, just maybe, the collapse could be avoided.
They had been arguing consistently in the last couple of months. The joy has been removed from his eyes, and hers... They were no longer happy together. Somewhere, down the line, they grew apart.
Somewhere, down the line, they both wanted different things. Somewhere, down the line, they... She did not want to say the words.
Maybe today he would say the words. Maybe that was what he was thinking about. Maybe, just maybe, he would spell out loud what she feared most...
Why fear? Why was she afraid to hear what she already knew? Why was she so afraid of accepting what already was? Wasn't it just easier to accept? Some people say that if you accept what is it makes it easier to let go or move on.
He kept looking at a blank spot on the wall. He stared at it, rarely blinking, for what looked like hours. He was really considering something serious...
She kept to herself... She did not disturb and she decided to make her own thinking. She also had things to think about. Decisions to make... It was not all on his side of the fence, or was it?
They both stayed still for hours. Each one on a different corner of the living room. He staring at the wall and she staring at him. Finally he got up. He sighed and moved to her.
She stopped breathing. There was it. The moment she dreaded. The moment she was so afraid of, even though she knew it was already so real. Accept what is, she thought to herself.
He stopped in front of her and knelled. He looked her in the eyes. He finally spoke.
- You know... For the last couple of months we have not been living together even though we share the same roof. I have gone distant, and so have you. I was trying to understand the reasons until I realised I knew exactly what the reasons were. We gave up. We gave up on the little things. We let routine take its course and we just let it go. You see, I forgot all the reasons why I fell in love with you and all I kept asking myself was the reasons why I should not be with you. And today... I knew I had to come up with a decision, as this was killing us both. So... I sat down and I travelled back to what put us together. And I saw you... I saw you for who you were and still are. I feel in love for your soul which is has not changed. I felt you looking at me and I asked myself this one question: do I see myself without you in my life? Do I? There was a sharp pain in my heart when I dared to ask that question... My heart shrunk and I can bet it bled. So my answer was clear. I do not see myself without you in my life. So, today, I want to promise you that from this day forward I will not allow the routine to take over my life, our life. I promise that I will cherish all the reasons why I fell in love with you and I will make sure to tell you this everyday, for the rest of our lives... So, there it goes. My real question is: Would you marry me, knowing that I promise to love you everyday regardless of where life takes us?
She stood there, still, looking at him. The words... The words were said. She could not respond. Her head was thinking fast about all the reasons why it wouldn't work. Her head was reasoning on the current state of their relationship wondering if it would be possible to revert. She closed her eyes and demanded her head to stop thinking. She let her heart speak. Her heart, hurting and bleeding, pulsed with joy. She opened her eyes...
- Yes. Oh yes, of course I will marry you.
They hugged and he rested his head on her lap. They stood still for what seemed like an eternity. A beautiful eternity...
Her head suddenly went quiet. There was nothing else to think about.
She knew him too well to know when something was really bothering him.
In fact, she knew him well enough to know that something was seriously wrong. Worst of all, she could bet it was on a personal level, which was worse.
Approaching him would also be a mistake. He hated to be disturbed when the only thing he needed was to be left alone. However, if only she could intervene, maybe, just maybe, the collapse could be avoided.
They had been arguing consistently in the last couple of months. The joy has been removed from his eyes, and hers... They were no longer happy together. Somewhere, down the line, they grew apart.
Somewhere, down the line, they both wanted different things. Somewhere, down the line, they... She did not want to say the words.
Maybe today he would say the words. Maybe that was what he was thinking about. Maybe, just maybe, he would spell out loud what she feared most...
Why fear? Why was she afraid to hear what she already knew? Why was she so afraid of accepting what already was? Wasn't it just easier to accept? Some people say that if you accept what is it makes it easier to let go or move on.
He kept looking at a blank spot on the wall. He stared at it, rarely blinking, for what looked like hours. He was really considering something serious...
She kept to herself... She did not disturb and she decided to make her own thinking. She also had things to think about. Decisions to make... It was not all on his side of the fence, or was it?
They both stayed still for hours. Each one on a different corner of the living room. He staring at the wall and she staring at him. Finally he got up. He sighed and moved to her.
She stopped breathing. There was it. The moment she dreaded. The moment she was so afraid of, even though she knew it was already so real. Accept what is, she thought to herself.
He stopped in front of her and knelled. He looked her in the eyes. He finally spoke.
- You know... For the last couple of months we have not been living together even though we share the same roof. I have gone distant, and so have you. I was trying to understand the reasons until I realised I knew exactly what the reasons were. We gave up. We gave up on the little things. We let routine take its course and we just let it go. You see, I forgot all the reasons why I fell in love with you and all I kept asking myself was the reasons why I should not be with you. And today... I knew I had to come up with a decision, as this was killing us both. So... I sat down and I travelled back to what put us together. And I saw you... I saw you for who you were and still are. I feel in love for your soul which is has not changed. I felt you looking at me and I asked myself this one question: do I see myself without you in my life? Do I? There was a sharp pain in my heart when I dared to ask that question... My heart shrunk and I can bet it bled. So my answer was clear. I do not see myself without you in my life. So, today, I want to promise you that from this day forward I will not allow the routine to take over my life, our life. I promise that I will cherish all the reasons why I fell in love with you and I will make sure to tell you this everyday, for the rest of our lives... So, there it goes. My real question is: Would you marry me, knowing that I promise to love you everyday regardless of where life takes us?
She stood there, still, looking at him. The words... The words were said. She could not respond. Her head was thinking fast about all the reasons why it wouldn't work. Her head was reasoning on the current state of their relationship wondering if it would be possible to revert. She closed her eyes and demanded her head to stop thinking. She let her heart speak. Her heart, hurting and bleeding, pulsed with joy. She opened her eyes...
- Yes. Oh yes, of course I will marry you.
They hugged and he rested his head on her lap. They stood still for what seemed like an eternity. A beautiful eternity...
Her head suddenly went quiet. There was nothing else to think about.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Desvalorização da Alma
As pessoas são estranhas...
Apegam-se a bens materias como se os levassem para a outra vida.
Esquecem-se que no caixão só cabem os nossos ossos e alguns trapos para tapar a nossa nudez fria.
Apegam-se a coisas tão caras e sem valor. Tão caras, que chegam a vender a própria alma por meros tostões, alma essa que não devia ter preço.
Connosco, só levamos a alma. A nossa alma é a pequena bateria que dá vida ao nosso corpo. O nosso corpo não passa de um vaso para abrigar o que de mais valioso temos. Irónico, o que de mais valioso temos e não damos valor.
Vendemos a alma ao diabo... Permitimos que os desejos dos nossos vasos se sobreponham aos desejos da nossa alma. A nossa alma também tem fome. Tem fome de energias semelhantes a ela própria e esquecemos de a alimentar. Entretanto, comemos como se o dia fosse acabar e enchemos o nosso vaso, o nosso vaso que abriga a nossa preciosa alma, de lixo... Ocupamos o espaço do nosso bem mais valioso com "lixo"...
Irónico, o que de mais valioso temos e não damos valor.
Claro, mas é óbvio, que temos que satisfazer as necessidades básicas dos nossos vasos. Temos de garantir a extensão do seu prazo de validade, caso a nossa alma queira prolongar a sua estadia. É óbvio que é importante alimentar, mas nós saturamos. Saturamo-nos de coisas desnecessárias e roubamos o espaço da nossa alma que com o tempo vai deixando de brilhar.
As pessoas são estranhas...
Apegam-se a tanta coisa e deixam a única coisa de valor definhar....
Apegam-se a bens materias como se os levassem para a outra vida.
Esquecem-se que no caixão só cabem os nossos ossos e alguns trapos para tapar a nossa nudez fria.
Apegam-se a coisas tão caras e sem valor. Tão caras, que chegam a vender a própria alma por meros tostões, alma essa que não devia ter preço.
Connosco, só levamos a alma. A nossa alma é a pequena bateria que dá vida ao nosso corpo. O nosso corpo não passa de um vaso para abrigar o que de mais valioso temos. Irónico, o que de mais valioso temos e não damos valor.
Vendemos a alma ao diabo... Permitimos que os desejos dos nossos vasos se sobreponham aos desejos da nossa alma. A nossa alma também tem fome. Tem fome de energias semelhantes a ela própria e esquecemos de a alimentar. Entretanto, comemos como se o dia fosse acabar e enchemos o nosso vaso, o nosso vaso que abriga a nossa preciosa alma, de lixo... Ocupamos o espaço do nosso bem mais valioso com "lixo"...
Irónico, o que de mais valioso temos e não damos valor.
Claro, mas é óbvio, que temos que satisfazer as necessidades básicas dos nossos vasos. Temos de garantir a extensão do seu prazo de validade, caso a nossa alma queira prolongar a sua estadia. É óbvio que é importante alimentar, mas nós saturamos. Saturamo-nos de coisas desnecessárias e roubamos o espaço da nossa alma que com o tempo vai deixando de brilhar.
As pessoas são estranhas...
Apegam-se a tanta coisa e deixam a única coisa de valor definhar....
Adelaide Miranda, 04/05/2018
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Uma mulher inteligente
Atirei o telemóvel para o chão! Despadaçou-se em mil pedaços. Não quis saber! Não me importa! Que se dane o telemóvel e tudo o resto!
Sempre a mesma conversa. Parecia uma gravação. Sempre o mesmo diálogo, que mais parecia um monólogo, com respostas breves de sim e não, ou uhmmm.
Cansei! Farta!
Era uma afronta à minha própria inteligência! Sempre pensei ser inteligente, mas comecei a ter as minhas sérias dúvidas.
Uma mulher inteligente não se deixa enganar com desculpas esfarrapadas e falinhas mansas, pois não?
Uma mulher inteligente não se deixa levar com um simples beijo e um abraço mais apertado, pois não?
Que se dane! Que se dane!
Levei as mãos à cabeça e puxei os cabelos! O cenário de destruição... E agora? E agora se ele decidisse ligar? Oh, não!
Agachei-me desesperada à procura do cartão do telemóvel. Salvei-o entre os pedaços desorganizados no chão.
Ajeitei o cabelo e passei o baton nos lábios. Cheguei à loja com um sorriso, e pedi um telemóvel desbloqueado. Daqueles baratinhos, não fazia mal.
Sentei-me no banco do jardim e coloquei o cartão... Liguei o telefone e rápidamente configurei-o. A tão esperada chamada chegou:
- Então, Deborah, o que se passou? Tentei falar contigo várias vezes. Não consegui sair mais cedo, mas como te disse, devo estar em casa por volta das dez. Ontem, nem consegui voltar para casa de tão estafado que estava.
Anui, com a cabeça e engoli em seco. Contente por ouvir aquela voz e, ao mesmo tempo, zangada comigo mesma.
- Eu entendo, Renato. Muito trabalho, certo? Não faz mal.
- Deborah...
- Sim?
- Eu amo-te, sabes disso, certo?
- Oh sim, claro. Eu também amo-te muito.
- Até logo... Beijinhos.
Desliguei o telefone, derrotada. Afinal, ele disse que me amava. Eu até sou uma mulher inteligente, e uma mulher inteligente não cai em falinhas mansas. Pois não?
Adelaide Miranda, 03/05/2018
Sempre a mesma conversa. Parecia uma gravação. Sempre o mesmo diálogo, que mais parecia um monólogo, com respostas breves de sim e não, ou uhmmm.
Cansei! Farta!
Era uma afronta à minha própria inteligência! Sempre pensei ser inteligente, mas comecei a ter as minhas sérias dúvidas.
Uma mulher inteligente não se deixa enganar com desculpas esfarrapadas e falinhas mansas, pois não?
Uma mulher inteligente não se deixa levar com um simples beijo e um abraço mais apertado, pois não?
Que se dane! Que se dane!
Levei as mãos à cabeça e puxei os cabelos! O cenário de destruição... E agora? E agora se ele decidisse ligar? Oh, não!
Agachei-me desesperada à procura do cartão do telemóvel. Salvei-o entre os pedaços desorganizados no chão.
Ajeitei o cabelo e passei o baton nos lábios. Cheguei à loja com um sorriso, e pedi um telemóvel desbloqueado. Daqueles baratinhos, não fazia mal.
Sentei-me no banco do jardim e coloquei o cartão... Liguei o telefone e rápidamente configurei-o. A tão esperada chamada chegou:
- Então, Deborah, o que se passou? Tentei falar contigo várias vezes. Não consegui sair mais cedo, mas como te disse, devo estar em casa por volta das dez. Ontem, nem consegui voltar para casa de tão estafado que estava.
Anui, com a cabeça e engoli em seco. Contente por ouvir aquela voz e, ao mesmo tempo, zangada comigo mesma.
- Eu entendo, Renato. Muito trabalho, certo? Não faz mal.
- Deborah...
- Sim?
- Eu amo-te, sabes disso, certo?
- Oh sim, claro. Eu também amo-te muito.
- Até logo... Beijinhos.
Desliguei o telefone, derrotada. Afinal, ele disse que me amava. Eu até sou uma mulher inteligente, e uma mulher inteligente não cai em falinhas mansas. Pois não?
Adelaide Miranda, 03/05/2018
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