segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Broken

 

I was broken...

Damaged and broken.

Twisted perhaps, but also broken.

I had been looking 

For my lost pieces. 

I found them in you.

You glued them together

With a labelled “due by” glue.

I keep falling apart,

I keep having to return to you

So I can be whole again.

You keep missing pieces…

Making sure I have to return to you.

You are my salvation and my penitence…

I cannot be whole unless I am with you.

You gave me wings so I can fly

Only by your side. They don’t work otherwise.

I am broken…

Glued back in pieces

To be handled only by you.

You are my freedom and my prison.

My world begins and ends in you.

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Adelaide Miranda, 10/10/2016


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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Em alto e bom som

Sabes que mais? Estou cansada! 
Estou cansada de guardar o que sinto cá dentro. 
Vou gritar em alto e bom som! 
Já não aguento esta angústia, esta dormência... 
Vou gritar em alto e bom som!
Estou farta de fingir que a tua indiferença não me incomoda.
Vou gritar em alto e bom som!
Sabes que mais? Chega!
Chega de fingir que não estou louca para cair nos teus braços.
Vou gritar em alto e bom som:
Amo-te! Quero-te! Desejo-te! 
Preciso-te! Necessito-te! 
Ah, porra! 
Amo-te! Amo-te! Amo-te!
Amo-te em alto e bom som!

Adelaide Miranda, 06/10/2016
Foto retirada da net

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Náufraga


Perdida… Era assim que se sentia ultimamente. Completamente perdida, sem rumo, sem lugar...

Tinha uma vida boa, muito boa. Não sabia o porquê de sentir-se náufraga.

Tinha a certeza que o mundo estava completamente equivocado. Não bastava seguir as regras da sociedade, não bastava fazer tudo como manda o figurino, não bastava...

Deborah tinha 27 anos e a vida corria como tinha sido programada, por si, pelos seus pais, pela sociedade... Licenciada, casada e com um filho nos braços, tudo a seu tempo. Porém, algo sufocava o seu coração. Algo afligia a sua alma. Não sabia bem o que era. Precisava descobrir...

João, casado com Deborah, sentia-se o culpado da infelicidade da mulher. Sempre tentara de tudo para fazê-la feliz, mas não conseguia. Ao olhá-la nos olhos via um vazio, uma insatisfação... Moravam na casa com piscina que ela sempre mencionou, conduziam o carro que ela sempre mencionou, não lhes faltava nada... Faltava-lhe parte da alma...

- João... Acho que vou ausentar-me por uns tempos... – disse enquanto se preparava para ir para o trabalho.

- Ausentar, como assim?

- Preciso sair daqui... Já falei com a minha mãe para ficar com o Lucas por uns dias...

- Já falaste com a tua mãe? Ausentar-te? – colocou-se em frente ao espelho e olhou-a nos olhos – Não és feliz comigo, Deborah? É isso?

- João, sabes bem que não é isso... Eu sou feliz contigo... Não sou é feliz comigo, percebes? Preciso saber o que se passa comigo. Tenho tanto e no entanto...

- Amas-me, Deborah? Diz-me, por favor?

- Não sejas tolo... Amo-te a ti e ao nosso filho. Adoro a nossa vida, mas falta-me algo. Há algo que não estou a fazer. Algo que me está a faltar. Não consigo explicar, mas bem no fundo de mim sinto uma angústia, uma dor... Preciso sair daqui, percebes? Tentar entender o que se passa comigo.

- E vais para onde? – perguntou conformado com a decisão.

- Vou para a Serra do Gerês. Isolar-me, pensar... Entendes?

- Desde que prometas que não me vais deixar...

- Nunca! – Abraçou-o e beijou-o apaixonadamente. – Sou feliz por ter um homem como tu ao meu lado. Está na altura de dar-te a esposa que tu mereces.

Enquanto conduzia mil coisas passaram-lhe pela cabeça... Sentiu um aperto no estômago ao despedir-se do João e do Lucas, mas tinha de fazê-lo... Para o bem dela, para o bem deles...

Inicialmente teve dificuldade em concentrar-se, passou a maior parte do tempo a chorar. Chorou por tudo o que não tinha chorado e por tudo o que ainda haveria de chorar.

Com o passar das horas e dos dias conseguiu abstrair-se do mundo à sua volta e focar-se na imensidão do seu mundo interior. Descobriu memórias esquecidas e lembrou-se de quando tinha sido feliz pela última vez, antes do João, antes do Lucas, antes da faculdade...

Lembrou-se daquela tarde de Verão em que sentada na sala a ver “Música no Coração” cantou as músicas todas, junto com a irmã, dançou e imitou várias cenas do filme. Lembrou-se da promessa que fizeram uma à outra de que um dia iriam fazer o mesmo... Encenar, cantar, dançar tudo num só... Lembrou-se da paz que sentiu quando ambas se abraçaram e prometeram uma à outra nunca esquecer esse sonho...

Ali, naquele momento, Deborah percebeu. Percebeu o que a fazia infeliz: tinha-se se esquecido o que a fazia feliz, a ela própria. Seguiu os passos que os pais e a sociedade esperavam de si. Esqueceu-se do que ela tinha prometido a si mesma: ser feliz!

Nessa mesma noite voltou para casa. Abraçou o marido e o filho com tanta força... Abraçou-os e agradeceu a Deus que eles fizessem parte da sua vida.

- João, amanhã vou inscrever-me na escola de teatro. – Disse quando se preparavam para ir dormir.

- Escola de teatro? Não percebo... – Perguntou confuso.

- Sabes? Sempre quis ser actriz de teatro, fazer musicais... Esse era o meu sonho, antes de...

- A sério? Nunca me falaste sobre isso...

- Pois é, João... Esqueci-me do que realmente me fazia feliz. Do que alimentava a minha alma...

- Amor, se é isso que tu queres, força. Apoio-te no que foi preciso...

O tempo passou... As cortinas abriram-se e Deborah olhou para o público à sua frente. Sentiu uma breve dor no estômago e respirou fundo. Fechou os olhos e lembrou-se da promessa que fez à irmã...

A peça terminou e saiu do transe. O público levantou-se e aplaudiu. Na primeira fila, estava o seu João com lágrimas nos olhos. Deborah, sorriu, fez uma vénia e agradeceu ao público. Chorou também de emoção. Não foi fácil chegar ali, foram meses de aulas e meses de ensaios. Meses de dúvidas, medo e ansiedade. Ali, naquele palco, perante o público, pegou no leme do seu navio. Não era náufraga, Deborah, era finalmente a comandante do seu destino.


Adelaide Miranda, 05/10/2016
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domingo, 2 de outubro de 2016

Amor, Traição e Kizomba - Excerto

Senti-me a perder o controlo e apertei-a contra mim. Beijei-a sofregamente e explorei a sua boca com a minha língua com uma vontade enorme de devorá-la. Afastou-me, tirou a blusa e fez-me esfregar a cara nos seus peitos. Saboreei os mamilos rijos e trinquei-os ligeiramente até fazê-la gemer de prazer. Levantei-lhe a saia e tirei-lhe as cuecas com apenas um gesto. Agarrei-lhe os cabelos enquanto a olhava nos olhos e penetrei-a com os dedos.

– É isto que queres de mim?
– Quero mais do que isto... Quero que me preenchas.
– Os meus dedos não te chegam?
– Não! Quero sentir-te, quero-te todo dentro de mim.

...

Excerto de "Amor, Traição e Kizomba", de Adelaide Miranda.

Disponível numa livraria perto de si...


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sábado, 1 de outubro de 2016

Por um fio...

Encontrou-a caída no chão e correu até ela. Com o coração nas mãos, os segundos que demorou a percorrer a distância que os separava pareceram uma eternidade. Agachou-se e colocou o ouvido sobre o peito da mulher que ele amava. As mãos tremiam e o terror, o pavor, de não a encontrar com vida quase que o paralizavam. O barulho ensurdecedor do medo quase não o deixou ouvir o coração dela a bater... Para seu alívio, batia, de leve, mas batia. Enquanto a abraçava rezava para que tudo estivesse bem. 
- Acorda, amor, por favor. - Sussurrou-lhe ao ouvido. - Acorda, amor... Acorda.
Abraçou-a enquanto esperava a ambulância. Deitou-se, ali, com ela à espera que alguém os viesse salvar. Sim, também ele precisava de salvação. Se alguma coisa acontecesse com ela a sua vida deixava de fazer sentido. Qual a razão de existir se não para a fazer feliz? De que serviria ele a este mundo se não fosse para contribuir que ela brindasse a humanidade com o seu sorriso?
Os paramédicos chegaram e ele ficou parado a vê-los trabalhar, como que em câmara lenta, sem conseguir afastar-se dela.
Ouviu-os a falar com ele mas não tinha forças para raciocinar. De repente, não conseguia entender a língua que falavam. Viu-os a afastarem-se com a maca em direcção à porta e só aí recuperou o controlo do seu corpo. Correu, correu e colocou a mão sobre o ombro do paramédico que se encontrava já a fechar a porta da ambulância. Saltou lá para dentro e agarrou a mão da sua mulher, da sua vida... Apertou-a com força.
- Salvem-nos, por favor. - Suplicou ao paramédico. - Salvem-nos.
O paramédico assentiu e fechou a porta da ambulância. 
O barulho da sirene lembrou-lhe que estava numa corrida para salvar a própria vida. Sentiu a urgência e olhou para a sua mulher, a sua vida...
- Acorda, meu amor, acorda. - Beijou-lhe a mão e inalou, de olhos fechados, o seu cheiro. - Eu amo-te, meu amor... Acorda, por favor....

Adelaide Miranda, 1/10/2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Por inteiro

Quero tudo... Não quero que me ames pela metade. Quero a totalidade do teu amor, a totalidade da tua alma, a totalidade do teu ser... Não quero sentir aos bocados. Não quero um amor aos pedaços. Quero tudo... Quero-te por inteiro. Quero que me ames por inteiro. Quero que me queiras como eu te quero, completamente... Inesgotávelmente... Infinitamente... Totalmente. Tudo... Quero tudo! Simples, assim...

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Adelaide Miranda, 23/01/2016

Foto retirada da internet

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Desespero

Dou por mim, sentada à janela, a olhar para o mundo lá fora. Está escuro... Está escuro mas mesmo assim tento encontrar a tua silhueta no meio de tantas sombras que vejo a passar.
Dou por mim, sentada à janela, a tentar perceber porque foste embora. Está frio... Está frio dentro desta casa em brasa com os aquecedores todos ligados na potência máxima.
Dou por mim, sentada à janela, a relembrar todos os momentos que passamos juntos. Está distorcido... Está distorcido o nosso passado e não consigo aceitar este presente e o temível futuro.
Dou por mim, sentada à janela... Dou por mim... No parapeito da janela... Dou por mim... A sentir o vento nos cabelos enquanto vejo o chão a aproximar-se. Dei por mim... Não soube existir sem ti.

Adelaide Miranda, 27/09/2016
Imagem retirada da internet